“Dentre as atividades que arregimentaram boa parte da indústria da música no século XX, a produção de jingles voltados ao mercado publicitário e a construção de instrumentos são, sem dúvida, duas que se destacaram.

Nos dias atuais, num “ecossistema musical” tão diversificado e constantemente transformado pelo avanço das tecnologias de gravação, reprodução e distribuição, trazendo ferramentas dos poderosos estúdios fonográficos para dentro de casa, questionamo-nos quais aspectos dessa cadeia produtiva permanecem inalterados e como os músicos estão lidando com esta guinada.

A Zumbido, publicação digital do Selo Sesc, investiga sob um prima histórico dois desses aspectos na sua terceira edição e, para complementar seu lançamento, convida para um bate-papo os músicos:

Charles Gavin – Oficial percusionista (ex-Titãs, Ira!, RPM), pesquisador e apresentador do programa O Som do Vinil (Canal Brasil).

Edgard Poças – músico e arranjador, figura fundamental na produção de jingles no Brasil, responsável por sucessos da XuxaBalão mágico, Trem da Alegria e Dominó. Recentemente escalado pela Netflix, junto com Fábio Goes, para dar vida a trilha da banda infantil na série Samantha!

<<Mediação>>
Biancamaria Binazzi radialista e idealizadora do projeto Goma-Laca”

Tá no ar!
Leia a Zumbido #3 na íntegra no aplicativo Sesc São Paulo (disponível no Google Play ou App Store) ou, se preferir, direto no nosso Medium (sescsp.org.br/zumbido).

Curso: Paisagens Sonoras

Gira-Disco, com Marcelo Pretto

O ciclo Gira-Disco relembra a cultura dos saraus, “discações”e chás musicais na sala de estar da Casa de Mário de Andrade, na Rua Lopes Chaves. No dia 10 de março, o músico Marcelo Pretto assumiu a vitrola da casa para mostrar especiarias de seu acervo pessoal de discos dos tempos dos 78 rotações.

Um dia, há mil anos, estava voltado da escola com a Julia Forlani e resolvemos dar uma parada na escola de música Espaço Musical Ricardo Breim para ver o que estava acontecendo. Sentado numa cadeira com um toca-fitas, estava o Marcelo Pretto, que falava para os alunos sobre sua formação musical mostrando músicas que o formaram como artista e pesquisador. Ao invés de passar o currículo, ele tocou umas gravações malucas e lindas, de 1930. Coisas lindas de morrer, que eu nunca tinha escutado na vida. Foi a primeira vez que eu escutei Jararaca e Ratinho! Foi a primeira vez que eu prestei atenção num disco de 78 rpm, sem me preocupar com o chiado! O Marcelo mostrou que é possível decifrar letras, texturas e ideias geniais por trás das poeiras todas. Mostrou que música antiga pode ser fresca, moderna! Aquele encontro mudou minha vida para sempre. Já faz uns 20 anos que eu sou fã desse rapaz, que além de ser meu cantor preferido, é meu guia para sons especiais! E outro dia eu fui na casa dele ouvir discos, e fiquei maluca de tanto escutar e conversar sobre coisas lindas e inusitadas!

*Marcelo Pretto* é Integrante dos grupos A Barca e Barbatuques e está se preparando para lançar o seu primeiro disco solo, BOI, que propôe um olhar contemporâneo sobre o Bumba Boi. Entusiasta do legado de Mário de Andrade no campo da pesquisa sobre a música brasileira, e caçador incansável de sonoridades “estranhas”, no melhor sentido da palavra, Marcelo construiu ao longo da vida um precioso acervo particular de discos de 78 rpm, vinis e fitas K7 e mp3s com os mais diversificados gêneros musicais. No encontro do dia 10, ele escuta e conversa sobre modernidade e frescor nas emboladas de Raul Torres, Almirante e Jararaca, invenções tecnológicas de Caco Velho, gargalhadas sinfônicas de Eduardo das Neves, e Alberto Ribeiro fazendo poderosa crítica social.

Cantos Populares do Brasil, de Elsie Houston

13 de Março de 2018- Instituto Moreira Salles Av.Paulista

Alessandra Leão, Marcos Paiva, Livia Mattos, Marcelo Pretto e Beto Montag interpretam o cancioneiro popular levantado pela pesquisadora e cantora brasileira Elsie Houston em 1931.

Mais, aqui.

Inscrições por aqui:

https://www.sescsp.org.br/aulas/131794_LABORATORIO+DE+RADIO+DIGITAL+COM+DEBORA+PILL+BIANCAMARIA+BINAZZI+E+AMADEU+ZOE

Conectando Acervos e Gerações – CPF/SESC (agosto 2017)

GOMA-LACA é um núcleo de criação, pesquisa e difusão dedicado ao universo da música brasileira gravada em discos de 78 rpm. Em programas de rádio, rodas de escuta de discos, vídeos, exposições e shows, a radialista Biancamaria Binazzi e o produtor musical Ronaldo Evangelista procuram rastros da música de tradição popular na indústria do disco que acabava de nascer, promovendo o intercâmbio entre acervos e gerações.

Em dois encontros no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em São Paulo a dupla apresenta a pesquisa que originou o repertório do disco Afrobrasilidades em 78 rpm, lançado em 2014. Além de entrevistas exclusivas realizadas com Vanja Orico e Inezita Barroso durante a realização do projeto, a dupla irá mostrar gravações originais em 78 rpm, programas de rádio apresentados por Almirante e manuscritos de Mário de Andrade e Heitor Villa-Lobos sobre temas gravados.

http://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/goma-laca-conectando-acervos-e-geracoes

 

 

Entrevista Cásper Líbero

Por: Marcela Schiavon, do Núcleo de Mídias Digitais / 13 de dezembro de 2017

Biancamaria Binazzi é formada em Rádio e Televisão pela Faculdade Cásper Líbero. Apaixonada pelo rádio e pela música brasileira, conta um pouco sobre sua formação e carreira inspiradoras.

Entrevista completa aqui.

“Tenho saudades de falar no microfone, ao vivo, todos os dias. Era uma adrenalina apaixonada. Acho que todos os casperianos e as casperianas que passaram pelo Jornal da Gazeta AM Universitária têm essa “coisa” com o rádio, que não dá para explicar. Neste ano, visitei a Cásper, e só de sentir o cheiro dos estúdios no quarto andar, voltei no tempo. Tempo bom!”

 

MS: Quais são as suas dicas aos estudantes de RTVI que querem trabalhar com o rádio?

BB: Experimentemos! O Rádio tem quase cem anos e ainda está querendo imitar a televisão e o jornal impresso. Precisamos aproveitar as possibilidades da escuta, e fazer o rádio contar o que o “visual” não conta. Se o Rádio é mensagem e expressão pelo som, o desafio, hoje, é nos apropriarmos dos recursos que o mundo digital nos dá para extrapolarmos a barreira das Frequências Moduladas e ocupar novas frequências. Temos as tecnologias a nosso favor. Agora, as distancias ficaram mais curtas, é possível gravar sons com o celular. Agora, o público está preparado (e faminto) para escutar produções sonoras na internet e pelo telefone. Aplicativos mil a serem desbravados. Sei que o mercado do Rádio convencional está desanimador, e são pouquíssimas as pessoas que conseguem fazer projetos inovadores em emissoras AM e FM. Trabalhar com rádio não significa trabalhar no Rádio. As portas estão abertas para quem quiser fazer rádio em outras plataformas. Por que não apresentar um projeto de rádio ou podcast para uma editora, um centro cultural, uma sala de cinema, ou uma loja, uma revista, um jornal, uma marca? (Entrevista completa aqui.)

 

Entrevista Revista Brasileiros: do fonógrafo à música digital

MARCELO PINHEIRO
Publicado em: 24/03/2017