Entrevista com Danilo Brito (2004)

 

Revendo o passado: 2004. Ele tinha 19 e eu 20. Danilo acabava de ganhar primeiro lugar do prêmio Visa de Música Instrumental, e eu dava meus primeiros pulos no mundo do Rádio, lançando um Festival de Choro Na batuta do Gato na recém nascida Web Rádio do Centro Cultural São Paulo. Danilo Brito, o “Moleque atrevido”, chegou no estúdio de terno e tudo, acompanhando pelo soberano Zé Barbeiro e pela Mariza Ramos, minha madrinha de chorinho. Atrevido, disse que eu era muito nova para fazer rádio. O menino que começou a esmirilhar no bandolim aos 5 anos de idade me desmontou. Fizeram música ao vivo no estúdio, flutuamos. Reescutando o programa, me reencontro afobada e nervosa, sem saber o que fazer com aquela coisa gigante que estava nascendo no subsolo do CCSP. Enquanto eu falava sem respirar, o Danilo contava muito a vontade sobre seus mestres e descobertas sem soltar os dedos das cordas bandolim. A cada pausa, respiro, uma palinha para ilustrar a conversa. Me deu aula de Waldir Azevedo, Jacob, Manuel Andrade, rodas de choro, discos raros, São Paulo do choro. Desde lá, penso como seria perfeito se o Danilo tivesse um programa de rádio dele, contando e tocando. Agora, 13 anos depois, me reencontro com um barbudo trintão com mais três maravilhosos discos lançados e um bandolim cada vez mais iluminado de alma e precisão. Sábado vamos retomar aquele papo, agora menos ofegante.

Todos convidados, 24.06. na Oficina Cultural Casa Mário de Andrade. 15h. Grátis.

Teremos Bandolim, Danilo, Discos e Vitrola ***